segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Meu poema teu

Já não construo disfarces ou personagens no espelho
Pro roteiro adaptado da comédia dos meus dias
Tenho saido de casa vestido só de verdades
Talvez por certa arrogância e a preguiça de esconder-me

Só que isso de jogar-se de penhascos em palavras
Inunda todas as cenas de absolutas sentenças
E em meu ar de indiferença de alguém nunca indiferente
Vivo em meu laboratório dos afetos controlados

E quando posso navego pra ilha da minha verdade
Que mesmo tornada instante sustenta o fio dos meus dias
Onde ando em cordas bambas sobre a rede dos amores
E em arenas de leões que se acalmam com cantigas

E às vezes cavo poemas no solo de meus segredos
Que testemunham honestos meus persistentes ensaios
E querem que sejas cúmplice do meu mapa de viagens
Já a que horda dos poetas é a legião das solidões

E caso estejas atento prum certo tom angustiado
É provável que um dos homens que habitem em teu peito
Reconheça nesses versos que nasceram por vontade
O fel das próprias palavras e o doce ainda guardado.

Cado Selbach

2 comentários:

Adriana disse...

Gostaria que fosses ao meu blog, tem uma brincadeira literária pra ti lá.Pega a outra ponta do fio.
bj

Lena Casas Novas disse...

Meu também!!